terça-feira, 26 de novembro de 2013

A FAMÍLIA FUGIU DA ESCOLA!

A família “fugiu” da escola: não acompanha mais o que seus filhos fazem lá; poucos se interessam em participam de reuniões de pais, conselho ou APM. As desculpas são sempre as mesmas: “trabalho muito, não tenho tempo, a escola tem obrigação disso ou daquilo etc”.

O Inaf (Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional), dos últimos dez anos, sistematizado pelo Instituo Paulo Montenegro, mostra que só 25% dos brasileiros entre 15 e 64 anos dominam a leitura e a escrita, ou seja, apesar dos anos escolares, 75% das pessoas no Brasil, são classificadas como analfabetas funcionais.

Excluindo as que não têm oportunidade de estudo, por diversos fatores, são pessoas, em sua maioria, preocupadas com as aparências, em “ter”, em levar vantagem em tudo. Hoje, infelizmente, temos crianças/adolescentes com graves dificuldades de relacionamento, em obedecer a regras, maldosas, que não demonstram respeito nem por elas mesmas, que começam muito cedo sua vida sexual, deixando de ser criança.

Tantos preocupados com o trabalho infantil, defendendo que lugar de criança é na escola, mas não procuram saber o que elas estão indo fazer na escola, ou se estão indo, quando saem de casa para isso.

Essas crianças trocaram a atenção do professor pelos seus celulares, de última geração, com acesso à internet a qualquer hora e lugar (até quem recebe “bolsa-escola”). Peça para comprarem um material escolar... um simples livro... e ficará surpreso: alegam que a escola tem obrigação de fornecer todo o material escolar.

Sempre esquecem os livros que recebem gratuitamente do Governo; nunca têm lápis, caneta, borracha (mesmo recebendo o quite escolar no começo do ano). Esquecem-se sempre de fazer o “trabalho ou tarefa” escolar. Perdem provas e só se lembram de dar “uma desculpa” ao professor quando esse vai comentar e fazer a correção da mesma.

Mas, elas estão lá na sala de aula, na escola, com seus celulares, compartilhando, postando, trocando mensagens a todo instante. Isso tudo sem falar sobre os vídeos que gravam deles mesmos, expondo-se de forma absolutamente insana... e seus pais/responsáveis... a família... sabem disso??? Tenho certeza de que não... estão preocupados em trabalhar... não têm tempo para isso.

Num futuro muito próximo não haverá professor. A escola pública tornou-se instituição falida e a sociedade nada faz para mudar isso!

Sinto-me impotente, sem apoio, sem esperanças em relação à educação pública em nosso país. O que será dessa geração??? Já pensaram que essa geração formará a próxima??? Como será o amanhã??? Não é para responder... é para FAZER... MUDAR...TRANSFORMAR!!!

Quanta hipocrisia, quanto “faz de conta”, quanto “liga não” ou “deixa prá lá”, quanta desilusão!

Só desapontamento.

Rogéria Pelegrinelli



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Internet e segurança

Algumas dicas!

Ela já faz parte de nossas vidas e alguns confessam que não sabem mais viver sem ela. Falamos de quem? INTERNET.
Aqui vão apenas algumas dicas, porque afinal estamos sempre aprendendo a cada dia.
A Internet é bem mais do que uma rede mundial de computadores: interação, integração, informação, comunicação, velocidade e contemporaneidade; um recurso que reduziu distâncias e eliminou barreiras e está presente em nossa vida social, cultural e econômica.
Portanto, saber como utilizar esse recurso, de forma segura, é sempre importante.

Visitem o site e divulguem-no:
http://www.diadainternetsegura.org.br/site/sid2012
Acessem as páginas desse blog (ao lado) para ler os conteúdos: Internet, segurança, vírus, antivírus, redes sociais, identidade digital e sugestões de vídeos sobre o assunto.
Profa. Rogéria Pelegrinelli

sábado, 8 de setembro de 2012

Livro digital:


Atividade realizada com os alunos da EMEFEM Alfeu Luís Gasparini - Ribeirão Preto:

Acessem:

http://www.myebook.com/ebook_viewer.php?ebookId=141538

quarta-feira, 9 de maio de 2012

EPTV na Escola

Olá, pessoal,


Na próxima semana assistiremos ao vídeo! Também terão contato com outros materiais para ajudá-los na reflexão sobre o tema:


Redes Sociais: Caminhos para um mundo novo?
Acessem o link enquanto isso!
http://www.viaeptv.com/projetos/eptvnaescola/ribeiraopreto/


abs, Profa. Rogéria

segunda-feira, 30 de abril de 2012

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EE Profa. Cordélia Ribeiro Ragozo - Pátria Amada II !

Atividades realizadas pelos alunos na semana da Pátria. Uma reflexão sobre Patriotismo.


Este é o País que eu NÃO quero!







EE Profa. Cordélia Ribeiro Ragozo - Pátria Amada I !

Atividades realizadas pelos alunos na Semana da Pátria. Uma reflexão sobre Patriotismo.


Este é o País que eu quero!









terça-feira, 18 de maio de 2010

Dificuldades ortográficas: Dicas!

PROBLEMAS GERAIS DA LÍNGUA CULTA



FORMA E GRAFIA DE ALGUMAS PALAVRAS E EXPRESSÕES



1) QUE E QUÊ

Que é pronome, conjunção, advérbio ou partícula expletiva. Por se tratar de monossílabo átono, não é acentuado:

(O)Que você pretende?

Você me pergunta (o) que farei. (O) Que posso fazer?

Que beleza! Que bela atitude!

Convém que o assunto seja discutido seriamente.

Quase que me esqueço de avisá-lo.

Quê representa um monossílabo tônico. Isso ocorre quando um pronome se encontra em final de frase, imediatamente antes de um ponto (final, de interrogação ou exclamação) ou de reticências, ou quando quê é um substantivo (com o sentido de "alguma coisa", "certa coisa") ou uma interjeição (indicando sur­presa, espanto):

Afinal, você veio aqui fazer o quê?

Você precisa de quê?

Há um quê inexplicável em sua atitude.

Quê! Conseguiu chegar a tempo?!




2) POR QUE, POR QUÊ, PORQUE, PORQUÊ

A forma por que é a seqüência de uma preposição (por) e um pronome interrogativo (que). E uma expressão equivalente a por qual razão, por qual motivo:

Por que você pensa assim?

Preciso saber por que você pensa assim.

Não sei por que você pensa isso.

Não deixe de ler a matéria intitulada "Por que os corruptos não vão para a cadeia". É impressionante!

Caso surja no final de uma frase, imediatamente antes de um ponto (final, de interrogação, de ex­clamação) ou de reticências, a seqüência deve ser grafada por quê, pois o monossílabo que passa a ser tônico:

Ainda não terminou? Por quê?

Você tem coragem de perguntar por quê?!

Há casos em que por que representa a seqüência preposição + pronome relativo equivalendo a pelo qual (ou alguma de suas flexões: pela qual, pelos quais, pelas quais). Em outros contextos por que equi­vale a para que:

Estas são as reivindicações por que estamos lutando.

O túnel por que deveríamos passar desabou ontem.

Lutamos por que um dia este país seja melhor.

Já a forma porque é uma conjunção, equivalendo a pois, já que, uma vez que, como:

A situação agravou-se porque muita gente se omitiu.

Sei que há algo errado porque ninguém apareceu até agora.

Continuas implicando comigo! É porque discordo de ti?

Porque também pode indicar finalidade, equivalendo a para que, a fim de. Trata-se de um uso pouco freqüente na língua atual:

Não julgues porque não te julguem.

A forma porquê representa um substantivo. Significa causa, razão, motivo e normalmente surge acompanhada de palavra determinante (um artigo, por exemplo). Como é um substantivo, pode ser plural içado sem qualquer problema:

Não é fácil encontrar o porquê de toda essa confusão.

Creio que os verdadeiros porquês não vieram à luz.



3) ONDE E AONDE

A tendência no português atual é considerar a seguinte distinção: aonde indica idéia de movimento ou aproximação, opondo-se a donde, que exprime afastamento. Costuma referir-se a verbos de movimento:
Aonde você vai?

Aonde querem chegar com essas atitudes?

Aonde devo dirigir-me para obter esclarecimentos?

Não sei aonde ir.

Onde indica o lugar em que se está ou em que se passa algum fato. Normalmente, refere-se a verbos que exprimem estado ou permanência:

Onde você está?

Onde você vai ficar nas próximas férias?

Não sei onde começar a procurar.


4) MAS E MAIS

Mas é uma conjunção adversativa, equivalendo a porém, contudo, entretanto:
Não conseguiu, mas tentou.
Mais é pronome ou advérbio de intensidade, opondo-se normalmente a menos:
Ele foi quem mais tentou; ainda assim, não conseguiu.

É um dos países mais miseráveis do planeta.


5) MAL E MAU

Mal pode ser advérbio ou substantivo. Como advérbio, significa “irregularmente”, “erradamente”, “de forma inconveniente ou desagradável”. Opõe-se a bem:
Era previsível que ele se comportaria mal. Era evidente que ele estava mal intencionado porque suas opiniões haviam repercutido mal na reunião anterior.
Como substantivo, mal pode significar "doença", "moléstia": em alguns casos, significa “aquilo que é prejudicial ou nocivo":
A febre amarela é um mal que atormenta as populações pobres.

O mal é que não se toma nenhuma atitude definitiva.

O substantivo mal também pode designar um conceito moral, ligado á idéia de maldade; nesse sentido a palavra também se opõe a bem:

Há uma frase de que a visão da realidade nos faz muitas vezes duvidar: “O mal não compensa”.

Mau é adjetivo. Significa "ruim", "de má índole", "de má qualidade". Opõe-se a bom e apresenta a forma feminina má:

Não é mau sujeito.

Trata-se de um mau administrador.

Tem um coração mau.



6) A PAR E AO PAR
A par tem o sentido de "bem-informado", "ciente":
Mantenha-me a par de tudo o que acontecer. É importante manter-se a par das decisões parlamentares.
Ao par é uma expressão usada para indicar relação de equivalência ou igualdade entre valores finan­ceiros (geralmente em operações cambiais): As moedas fortes mantêm o câmbio praticamente ao par.



7) AO ENCONTRO DE E DE ENCONTRO A

Ao encontro de indica "ser favorável a", "aproximar-se de":
Ainda bem que sua posição veio ao encontro da minha.

Quando a viu, foi ao seu encontro e abraçou-a.

De encontro a indica oposição, choque, colisão. Veja:
Suas opiniões sempre vieram de encontro às minhas: pertencemos a mundos diferentes.

O caminhão foi de encontro ao muro, derrubando-o.

8) A E HÁ na expressão de tempo
O verbo haver é usado em expressões que indicam tempo já transcorrido:
Tais fatos aconteceram há dez anos.
Nesse sentido, é equivalente ao verbo fazer:
Tudo aconteceu faz dez anos.
A preposição a surge em expressões em que a substituição pelo verbo fazer é impossível:
O lançamento do satélite ocorrerá daqui a duas semanas.
Partiriam dali a duas horas.

9) ACERCA DE E HÁ CERCA DE


Acerca de significa "sobre", "a respeito de":
Haverá uma palestra acerca das conseqüências das queimadas.
Há cerca de indica um período aproximado de tempo já transcorrido:
Os primeiros colonizadores surgiram há cerca de quinhentos anos.


10) AFIM E A FIM
Afim é um adjetivo que significa "igual", "semelhante". Relaciona-se com a idéia de afinidade:
Tiveram idéias afins durante o trabalho.

São espíritos afins.
A fim surge na locução a fim de, que significa "para" e indica idéia de finalidade:
Trouxe algumas flores a fim de nos agradar.


11) DEMAIS E DE MAIS
Demais pode ser advérbio de intensidade, com o sentido de "muito"; aparece intensificando verbos, adjetivos ou outros advérbios:
Aborreceram-nos demais: isso nos deixou indignados demais.

Estou até bem demais!
Demais também pode ser pronome indefinido, equivalendo a "outros", "restantes":
Não coma todo o pudim! Deixe um pouco para os demais.
De mais opõe-se a de menos. Refere-se sempre a um substantivo ou pronome:
Não vejo nada de mais em sua atitude!

O concurso foi suspenso porque surgiram candidatos de mais.


12) SENÃO E SE NÃO
Senão equivale a "caso contrario" ou "a não ser":
É bom que ele colabore, senão não haverá como ajudá-lo.

Não fazia coisa alguma senão criticar.
Se não surge em orações condicionais. Equivale a "caso não":
Se não houver aula, iremos ao cinema.

13) NA MEDIDA EM QUE E À MEDIDA QUE


Na medida em que exprime relação de causa e equivale a "porque", “já que”, “uma vez que”:
Na medida em que os projetos foram abandonados, a população carente ficou entregue à própria sorte.
À medida que indica proporção, desenvolvimento simultâneo e gradual. Equivale a “à proporção que”:
A ansiedade aumentava à medida que o prazo ia chegando ao fim.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

2o SIMULADO - Língua Portuguesa

2o SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA


1) Em “Passamos então nos dois, privilegiadas criaturas, a regalar-nos com a mesa...” , a função sintática do termo sublinhado é:
a) sujeito
b) objeto direto
c) aposto
d) adjunto adverbial
e) vocativo

2) “A recordação da cena persegue-me até hoje.” Os termos em destaque são, respectivamente:
a) Objeto indireto, objeto indireto.
b) Complemento nominal, objeto direto
c) Complemento nominal, objeto indireto
d) Objeto indireto, objeto direto
e) N . d . a .

3) TECNOLOGIA:

Hackers invadem a rede de computadores da Microsoft
27-out-2000.

Direção da maior empresa de softwares do mundo descobriram que invasores tiveram acesso aos códigos produzidos pela companhia e chamam o FBI para ajudar nas investigações.
(Veja online - "Notícias Diárias".)

No trecho reproduzido, incorre-se num erro gramatical, por conta
a) da concordância do verbo "descobriram"
b) do emprego de artigo em "aos códigos".
a) da apassivação do verbo "produzidos".
b) da regência do verbo "chamam".
c) do complemento do verbo "tiveram".

4) (UF- PR) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:
I - _____________ ali pessoas de vários países.
II - Eles ______________ dito a verdade.
III - __________ muitos casos de epidemia.
IV - _______________ lugares suficientes para todos.
V - Eles se _____________ muito bem nas provas.

a) haviam, haviam, houve, haverá, houvera
b) haviam, havia, houveram, haverá, houveram
c) haviam, havia, houve, haverá, houveram
d) havia, havia, houveram, haverá, houveram
e) havia, haviam, houve, haverá, houveram

5) Assinale a alternativa incorreta quanto à concordância verbal:
a) A maior parte dos fregueses reclamou da nova tabela de preços.
b) A maior parte da população estava insatisfeita com o governo.
c) A multidão reuniram-se na praça da Sé.
d) Grande número de crianças brasileiras vive nas ruas.
e) A maioria das senhoras exigiram explicações.

6) Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego dos verbos impessoais:
a) Segundo a previsão haverá ventos fortes e muita chuva no sul do país.
b) Fazem dez dias que ela ficou de me dar notícias sobre o concurso.
c) Havia índios desconhecidos na região.
d) Existem indícios de que já tinham visto homens brancos.
e) Mesmo fora dessa área haverá índios?

7) A frase "Erros foram detectados em todos os setores" está corretamente transposta para a voz passiva pronominal em:
a) Detectou-se erros em todos os setores.
b) Alguém detectou erros em todos os setores.
c) Detectaram-se erros em todos os setores.
d) Foi detectado erros em todos os setores.
e) Detectaram erros em todos os setores.

8) Transpondo a frase "Os danos deveriam ter sido reparados pelo responsável" para a voz ativa, obtém-se a forma verbal........

a) haviam de ser reparados
b) tinha reparado
c) deveria ter reparado
d) devia ter reparado
e) deve ter reparado


9) Nas sentenças seguintes, os conectores destacados estabelecem diferentes relações. Identifique essas relações:

I. Pretendo ingressar na Universidade, A FIM DE me qualificar para o trabalho.
II. Pretendo ingressar na Universidade, PORQUE quero ser biólogo.
III. Ingresso na Universidade, OU viajo para o exterior.
IV. Freqüentarei a Universidade, EMBORA more bem distante daqui.
V. Ingressarei nesta Universidade, SE passar no
vestibular.

Marque a alternativa que corresponde ao tipo de relação estabelecido, respectivamente, em cada frase:
a) temporalidade, finalidade, adição, condicionalidade, disjunção.
b) condicionalidade, finalidade, adição, disjunção, oposição.
c) finalidade, causalidade, disjunção, disjunção, oposição.
d) causalidade, oposição, finalidade, disjunção, condicionalidade.
e) finalidade, causalidade, disjunção, oposição, condicionalidade.

10) Identifique o valor semântico da conjunção "E" nos períodos a seguir.

I - O poeta nasceu ao final das duas primeiras décadas deste século "E" ainda continua perplexo dentro deste mundo atormentado.
II - As pessoas conviviam com personalidades de todos os matizes "E" aprendiam a lidar com gente boa e gente má.
III - Por amar Fortaleza, o poeta fez-lhe um canto de amor "E" o leu ao receber o título de "Cidadão de Fortaleza".

Assinale a opção cuja seqüência corresponde à relação existente entre as orações dos períodos I, II e III.
a) adição - conclusão - conseqüência;
b) oposição - oposição - adição;
c) adição - conclusão - finalidade;
d) oposição - conclusão - finalidade;
e) adição - conseqüência - explicação.

GABARITO:
1 – C
2 – B
3 – A
4 – E
5 – C
6 – B
7 – C
8 – C
9 – E
10 - D

1o SIMULADO - Língua Portuguesa

1o SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA



TEXTO: O Gramático

Alto, magro, com os bigodes grisalhos a desabar, como ervas selvagens pela face de um abismo, sobre os cantos da funda boca munida de maus dentes, o professor Arduíno Gonçalves era um desses homens absorvidos completamente pela gramática. Almoçando gramática, jantando gramática, ceando gramática, o mundo não passava, aos seus olhos, de um enorme compêndio gramatical, absurdo que ele justificava repetindo a famosa frase do Evangelho de João:
– No princípio era o VERBO!
Encapado pela gramática, e às voltas, de manhã à noite, com os pronomes, com os adjetivos, com as raízes, com o complicado arsenal que transforma em um mistério a simplicíssima arte de escrever, o ilustre educador não consagrava uma hora sequer às coisas do seu lar. Moça e linda, a esposa pedia-lhe, às vezes, sacudindo-lhe a caspa do paletó esverdeado pelo tempo:
– Arduíno, põe essa gramatiquice de lado. Presta atenção aos teus filhos, à tua casa, à tua mulher! Isso não te põe para diante!
Curvado sobre a grande mesa carregada de livros, o cabelo sem trato a cair, como falripas de aniagem, sobre as orelhas e a cobrir o colarinho da camisa, o notável professor retirava dos ombros a mão cariciosa da mulher, e pedia-lhe, indicando a estante:
– Dá-me dali o Adolfo Coelho.
Ou:
– Apanha, aí, nessa prateleira, o Gonçalves Viana.
Desprezada por esse modo, Dona Ninita não suportou mais o seu destino: deixou o marido com suas gramáticas, com os seus dicionários, com os seus volumes ponteados de traça, e começou a gozar a vida passeando, dançando e, sobretudo, palestrando com o seu primo Gaudêncio de Miranda, rapaz que não conhecia o padre Antônio Vieira, o João de Barros, o frei Luís de Sousa, o Camões, o padre Manuel Bernardes, mas que sabia, como ninguém, fazer sorrir as mulheres.
– Ele não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam? Então, que se fique com eles!
E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com a sua palestra, com o seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara, nem Rui de Pina, nem Gil Vicente, nem, mesmo, apesar do seu mundanismo, D. Francisco Manuel de Melo.
Assim viviam, o professor, com seus puristas, e D. Ninita com o seu primo, quando, de regresso, um dia, ao lar, o desventurado gramático surpreendeu a mulher nos braços musculosos, mas sem estilo, de Gaudêncio de Miranda. Ao abrir-se a porta, os dois culpados empalideceram, horrorizados. E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do esposo traído, pedindo, súplice, de joelhos:
– Me perdoe, professor!
Grave, austero, sereno, duas rugas profundas sulcando a testa ampla, o ilustre educador encarou o patife, trovejando, indignado:
– Corrija o pronome, miserável! Corrija o pronome!
E, entrando no gabinete, começou, cantarolando, a manusear os seus clássicos...
(Humberto de Campos)


1) No Evangelho de João, “Verbo” corresponde à pessoa de Jesus Cristo. Ao citar a frase do Evangelho, Arduíno Gonçalves emprega a palavra “VERBO”:

a) isolada do contexto evangélico e com significado puramente gramatical.
b) no próprio sentido do Evangelho, para justificar o absurdo que era fazer do mundo “um enorme compêndio gramatical”.
c) para ressaltar a importância do conhecimento do Evangelho nos estudos gramaticais.
d) no sentido de ter sido o verbo a primeira palavra utilizada na comunicação humana.
e) referindo-se a ela como a primeira e mais importante classe de palavras enumerada pela
gramática normativa.

2) Para o narrador, a arte de escrever:

a) é muito simples, desde que sejam abandonados os pronomes, os adjetivos, as raízes, enfim, as normas gramaticais.
b) pode transformar-se em um mistério, se não se conhecer o arsenal das normas gramaticais.
c) é muito simples, mas a preocupação excessiva com a gramática pode torná-la impenetrável.
d) exige preocupação constante com os mistérios que a envolvem, como os pronomes, os adjetivos e as raízes.
e) é simplicíssima, quando se consagra um pouco do tempo às coisas do lar.

3) Observe o trecho: “E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com sua palestra, com seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara...”. As orações grifadas são, respectivamente,

a) subordinada adjetiva explicativa e subordinada adjetiva restritiva
b) subordinada adjetiva explicativa e subordinada adjetiva explicativa
c) subordinada substantiva objetiva direta e subordinada substantiva completiva nominal
d) subordinada substantiva subjetiva e subordinada adjetiva explicativa
e) coordenada sindética explicativa e subordinada substantiva objetiva indireta

4) “– Ele não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam?”. Com relação a essa frase, mantendo a norma culta e o sentido que está no texto, seria correta a construção:

a) Ele não prefere, a mim, àquela porção de alfarrábios que o rodeiam?
b) Ele não prefere àquela porção de alfarrábios que o rodeiam a mim?
c) Ele não prefere mais a mim do que aquela porção de alfarrábios que o rodeiam?
d) Ele não prefere mais aquela porção de alfarrábios que o rodeiam do que a mim?
e) Ele não prefere aquela porção de alfarrábios que o rodeiam a mim?

5) "Então, que se fique com eles!". O termo em destaque tem a mesma função sintática do sublinhado em:

a) Fez-se a luz.
b) Vão-se os anéis, ficam os dedos.
c) Vendem-se casas.
d) Vive-se ao ar livre aqui.
e) Dona Ninita deixou-se levar pela paixão.

6) Observe o período: "Assim viviam, o professor, com seus puristas, e D. Ninita com o seu primo..." De acordo com o texto, infere-se que "puristas" são pessoas:

a) preconizadoras da linguagem puramente coloquial.
b) defensoras das transformações lingüísticas.
c) defensoras da pureza das tradições familiares.
d) preocupadas com a pureza do vernáculo.
e) engajadas em uma linguagem puramente brasileira.

7) Considerando os cinco primeiros parágrafos do texto, é correto afirmar que:

a) "...pela face de um abismo..."(linhas 1 e 2) e "...pela gramática."(linha 3) desempenham a mesma função sintática.
b) na frase "– No princípio era o VERBO!" (linha 7), o termo em destaque é verbo de ligação.
c) em "Isso não te põe para diante!" (linha 14), o termo em destaque refere-se a filhos, casa e mulher.
d) em "Curvado sobre a grande mesa carregada de livros..."(linha 15), a expressão em
destaque é oração reduzida de particípio.
e) "...como falripas de aniagem..."(linhas 15 e 16) é uma oração subordinada adverbial
comparativa.

8) “E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do esposo...” (linha 36). Na frase, as locuções adverbiais expressam as idéias de:

a) causa e conseqüência
b) conseqüência e lugar
c) concessão e finalidade
d) modo e lugar
e) finalidade e modo

9) D. Ninita disse ao marido: Deixo__________com suas gramáticas, não pelo muito que eu__________, mas pela nenhuma conta________você________tem.
A alternativa que completa corretamente as lacunas da frase adaptada do texto é:

a) o – valha – em que – me
b) o – valhe – em cuja – lhe
c) lhe – valha – na qual – o
d) te – valhe – em que – me
e) o – valha – que – me

10) PREVENÇÃO CONTRA ASSALTOS

"Como os assaltos crescem dia-a-dia, não podendo contê-los, a PM, sabiamente, dá conselhos aos cidadãos para serem menos assaltados:

I - Não demonstre que carrega dinheiro.
II - Jamais deixe objetos à vista, dentro do carro.
III - Levante todos os vidros, mesmo em movimento.
IV - Não deixe documentos no veículo.
(...)"
(FERNANDES, Millôr. Prevenção contra assaltos. In: TERRA, Ernani & NICOLA, José. "Curso prático de língua, literatura e redação." São Paulo: Scipione, 1997. v. 1, p. 36 )

Nesse fragmento, a função da linguagem predominante é:
a) fática. d) referencial.
b) emotiva. e) metalingüística
c) conativa.

11) Observe as frases:
I - Quanto mais pessoas houverem a desenvolver essa idéia, mais chances terá a nação de prosperar.
II - Não há dúvidas que fatores clássicos, como o acesso à recursos naturais são importantes.
III - As outras religiões monoteístas, incluindo o judaísmo, faz da pobreza uma virtude.
IV - A política favorece aqueles que conseguem parecer bons, mesmo que não o sejam.
V - No que diz respeito à promoção de oportunidades para todos, o capitalismo está muito à frente de todas as outras formas de organização.
Estão de acordo com a norma culta:
a) Apenas I e III.
b) Apenas II e IV.
c) Apenas IV e V.
d) Apenas II e III.
e) Apenas II, III e V.

12) Indique o enunciado que corresponde à norma padrão.
a) Qual de nós pudemos saber, que havia metais preciosos naquela terra graciosa, aonde, se plantando tudo dá?
b) Muitos de nós se detiveram nos saborosos detalhes da nova terra, de cujo povo souberam apreciar a robustez e a docilidade.
c) Quem de nós, se não o capitão, pôde saber de que metais preciosos naquela terra graciosa existia, onde, se se plantar, tudo dar.
d) Muitos de nós deteriam-se em todos os detalhes sobre a nova terra e seus nativos, cujo corpo apreciamos a robustez, a simpatia e a docilidade.
e) O clima, o solo, as águas, os nativos, tudo, com saborosos detalhes, foi referido. São relatos, nos quais se tratam das aventuras da longa travessia.

13) "... a fazenda dormia num silêncio recluso, a casa estava de luto...". A figura de linguagem empregada pelo autor neste trecho é

a) a metonímia. d) a metáfora.
b) a antítese. e) a prosopopéia ou a personificação.
c) a hipérbole.

14) Para responder à questão, leia os versos:

"E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento."

"Mudaram as estações
Nada mudou"

É notória a oposição de idéias nos versos, o que significa que neles se encontra como principal figura de linguagem a
a) metáfora. d) metonímia.
b) antítese. e) catacrese.
c) sinestesia.



GABARITO:

Questão /Alternativa
1 a
2 c
3 b
4 e
5 b
6 d
7 e
8 d
9 a
10 c
11 c
12 b
13 e
14 b

EXERCÍCIOS GRAMÁTICA

GRAMÁTICA – DIVERSOS



Per.Comp.Coordenação



1) Nas sentenças seguintes, os conectores destacados estabelecem diferentes relações. Identifique essas relações:



I. Pretendo ingressar na Universidade, A FIM DE me qualificar para o trabalho.

II. Pretendo ingressar na Universidade, PORQUE quero ser biólogo.

III. Ingresso na Universidade, OU viajo para o exterior.

IV. Freqüentarei a Universidade, EMBORA more bem distante daqui.

V. Ingressarei nesta Universidade, SE passar no

vestibular.



Marque a alternativa que corresponde ao tipo de relação estabelecido, respectivamente, em cada frase:

a) temporalidade, finalidade, adição, condicionalidade, disjunção.

b) condicionalidade, finalidade, adição, disjunção, oposição.

c) finalidade, causalidade, disjunção, disjunção, oposição.

d) causalidade, oposição, finalidade, disjunção,condicionalidade.

e) finalidade, causalidade, disjunção, oposição,condicionalidade. X



2) Observe os períodos adiante, diferentes quanto à pontuação.



- Adoeci logo; não me tratei.

- Adoeci; logo não me tratei.



A observação atenta desses períodos permite dizer que:

a) No primeiro, LOGO é um advérbio de tempo; no segundo, uma conjunção causal.

b) No primeiro, LOGO é uma palavra invariável; no segundo, uma palavra variável.

c) No primeiro, as orações estão coordenadas sem a presença de conjunção; na segunda, com a presença de uma conjunção conclusiva. XX

d) No primeiro, as orações estão coordenadas com a presença de conjunção; na segunda, sem conjunção alguma.

e) No primeiro, a segunda oração indica alternância; no segundo, a segunda oração indica a conseqüência.



3) Em uma de suas ocorrências, no poema "Pneumotórax", a conjunção "e" poderia ser substituída por "mas", sem prejuízo semântico. Essa possibilidade verifica-se em

a) dispnéia, e suores noturnos.

b) trinta e três... trinta e três.

c) Diga trinta e três.

d) pulmão esquerdo e o pulmão direito...

e) ter sido e que não foi. X



4) "Muitos resultados são imprevisíveis, MAS os dados já obtidos, diz a pesquisadora, 'sem dúvida permitirão um desenvolvimento extraordinário, TANTO na medicina e na biotecnologia QUANTO na bioinformática'."



Os conectivos em maiúsculo podem ser substituídos, sem alteração do significado, respectivamente, por:

a) porém - não só - mas também X

b) entretanto - ora - ora

c) portanto - não só - mas também

d) porque - seja - seja

e) contudo - ora – ora



5) Identifique o valor semântico da conjunção "E" nos períodos a seguir.



I - O poeta nasceu ao final das duas primeiras décadas deste século "E" ainda continua perplexo dentro deste mundo atormentado.

II - As pessoas conviviam com personalidades de todos os matizes "E" aprendiam a lidar com gente boa e gente má.

III - Por amar Fortaleza, o poeta fez-lhe um canto de amor "E" o leu ao receber o título de "Cidadão de Fortaleza".



Assinale a opção cuja seqüência corresponde à relação existente entre as orações dos períodos I, II e III.

a) adição - conclusão - conseqüência;

b) oposição - oposição - adição;

c) adição - conclusão - finalidade;

d) oposição - conclusão - finalidade; X

e) adição - conseqüência - explicação.



6) "A Internet é o portal da nova era, mas apenas 3% da população brasileira têm hoje acesso à rede."

("O Globo", 09/07/2000)



Analisando o emprego do conectivo MAS na construção acima, é possível concluir que, além de ligar duas partes da frase, ele desempenha a seguinte função:

a) reafirmar o significado da primeira parte

b) permitir a compreensão interna das duas frases

c) desfazer a ambigüidade de sentido da primeira parte

d) evidenciar uma relação de sentido entre as duas partes. X





Colocação Pronominal



7) Observe as frases:



1. Não _____ pode _____ calcular o prejuízo causado pelas chuvas. (se)



2. Faça o favor de _____ enviar _____ a carta, sem demora (lhe)



3. De fato, ninguém _____ havia lembrado _____ disso. (o)



4. Ela afirmou que o colega _____ estava molestando _____ (a)



Considerando-se a norma culta da língua, em qualquer dos espaços que se posicionem os elementos colocados entre parênteses, ficam corretas somente:

a) as frases 1 e 3

b) as frases 2 e 4 X

c) as frases 2 e 3

d) as frases 1 e 2

e) as frases 3 e 4



8) Observe as frases:



1. O mar ficava _____ apenas alguns quilômetros de lá. (a)



2. Chegou de viagem _____ cerca de duas semanas. (há)



3. Parou _____ uns 10 metros longe de mim. (a)



4. Não nos vemos _____ alguns anos. (há)



5. Você sabe daqui _____ quanto tempo o ônibus vai partir? (a)



Com os elementos colocados entre parênteses, ficam corretamente preenchidos os espaços:

a) somente das frases 1, 2 e 4

b) somente das frases 3 e 5

c) somente das frases 2 e 4

d) somente das frases 1, 3 e 5

e) de todas as frases X



9) Assinale a alternativa em que o pronome colocado entre parênteses NÃO preenche corretamente as lacunas.



a) O mal-entendido _____ aborreceu demais. (os)



b) Não fiquem preocupados: nós _____ ajudaremos. (lhes) X



c) Na verdade, em muito pouco ____ judaríamos. (as)



d) Admiro_____ a dedicação para com o irmão. (lhe)



e) Posso dizer que ainda não __ conheço bem. (a)



10) Escolha a alternativa que completa corretamente o período:



"Marta acaba de receber ____ visita do professor de artes cênicas, que ____ convidou para assistirem ____ peça teatral, em exibição ____ uma semana, ____ poucos metros de sua casa".



a) a, à, à, a, há;

b) a, a, à, há, a; x

c) a, a, à, à, a;

d) à, a, a, há, à;

e) a, a, à, a, a.



11) Assinale a alternativa em que o emprego da crase NÃO está correto.

a) É justa a alusão feita às determinações do diretor.

b) Ele age às escondidas, quando outros agem às claras.

c) Refiro-me à várias questões propostas pelo professor. X

d) Devido à chuva, não pudemos sair.

e) Os folhetos caíram às centenas das janelas do prédio.





12) A primeira pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos indignar-se, afrouxar, caber e extinguir é, respectivamente:

a) Indiguino-me, afroxo, caibo, extínguo.

b) Indigno-me, afrouxo, caibo, extingo. X

c) Indigno-me, afróxo, cabo, extínguo.

d) Indiguino-me, afrouxo, cabo, extínguo.

e) Indigno-me, afrouxo, caibo, extínguo.







13) Os católicos normalmente rezam o Pai-Nosso no tratamento VÓS:



Pai nosso, que ESTAIS no céu, santificado seja o VOSSO nome, venha a nós o VOSSO reino, seja feita a VOSSA vontade, assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia nos DAI hoje, PERDOAI as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos DEIXEIS cair em tentação, mas LIVRAI-nos do mal.



Os protestantes normalmente rezam-no, utilizando o tratamento TU:



Pai nosso, que ESTÁS no céu, santificado seja o TEU nome, venha a nós o TEU reino, seja feita a TUA vontade, assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia nos DÁ hoje, PERDOA as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos DEIXES cair em tentação, mas LIVRA-nos do mal.



Preencha as lacunas, empregando o tratamento VOCÊ:



Pai nosso, que __________ no céu, santificado seja o SEU nome, venha a nós o SEU reino, seja feita a SUA vontade, assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia nos _________ hoje, ___________ as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos ___________ cair em tentação, mas _________-nos do mal.



RESPOSTA:



Pai nosso, que ESTÁ no céu, santificado seja o SEU nome, venha a nós o SEU reino, seja feita a SUA vontade, assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia nos DÁ hoje, PERDOA as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos DEIXE cair em tentação, mas LIVRE-nos do mal.



14) Assinale, a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada.



Acostumado ...... dirigir-se ...... alunas e funcionárias em tom deselegante, viu-se sem auxílio ...... vésperas da entrega do relatório.



a) à - à - as

b) a - a - as

c) à - à - as

d) a - à - às x

e) a - a - às





15) Quanto ao tempo verbal, é CORRETO afirmar que, no texto abaixo,



João e Maria

Agora eu era herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cawboy

Era você além das outras três

Eu enfrentava os batalhões

Os alemães e os seus canhões

Guardava o meu bodoque

Ensaiava o rock

Para as matinês (...)

(CHICO BUARQUE DE HOLANDA)



a) a relação cronológica, no primeiro verso, entre o momento da fala e "ser herói" é de anterioridade.

b) o pretérito imperfeito indica um processo concluído num período definido no passado.

c) o pretérito imperfeito é usado para instaurar um mundo imaginário, próprio do universo infantil. X

d) o conflito entre a marca do presente - no advérbio "agora" - e a do passado - nos verbos - leva à intemporalidade.

e) o pretérito imperfeito é usado para exprimir cortesia.



16) Dos verbos destacados, só está corretamente empregado o que aparece na frase:

a) A atual administração quer CRESCER a arrecadação do IPTU em 40%.

b) A economia latino-americana se modernizou sem que a estrutura de renda da região ACOMPANHOU as transformações.

c) Se FAZER previsões sobre a situação econômica já era difícil antes das eleições, agora ficou ainda mais complicado. X

d) A indústria ficará satisfeita só quando vender metade do estoque e TRANSPOR o obstáculo dos juros.

e) Por mais que os leitores se APROPRIAM de um livro, no final, livro e leitor tornam-se uma só coisa.



17) Assinale a alternativa em que todos os verbos estejam empregados de acordo com a norma culta.

a) Você quer, depois de tudo o que me fez, que eu vou ao jantar com sua amiga?

b) Não faz isso, que os meninos estão para chegar e eu ainda não preparei o almoço.

c) Tende dó, meus filhos! Todos nós, pecadores, estamos sujeitos a essas tentações. Tende dó! X

d) Quem haveria de dizer que ele pode vim fazer esse conserto sem nenhuma dificuldade?

e) Sai, que esse dinheiro é meu. Não me venha dizer que o viu primeiro.



18) Assinale a opção que contém frase imperativa.

a) Persegue o gado a ousada Luzia.

b) Atalha a rapariga o gado de uma só vez.

c) Não tem vergonha de seu ofício Luzia.

d) Não deixe o gado ganhar a caatinga, Luzia. X

e) Posso deixar o gado passar, pai.



19) Numere os parênteses das frases a seguir, de acordo com os números que indicam os aspectos verbais, discriminados a seguir



I. Ação não-realizada

II. Início da ação

III. Repetição da ação

IV. Desenvolvimento da ação

V. Término da ação.



( ) lsaura ESTAVA TOCANDO, enquanto Álvaro a elogiava.

( ) O pai de Luzia TORNOU A ELOGIÁ-LA para todos que a viam.

( ) Helena FICOU DE CANTAR para o conselheiro, mas não teve oportunidade.

( ) No sertão, Dôra PASSOU A SE PREOCUPAR com luto.



A numeração correta é:

a) II - IV - V - III.

b) IV - II - III - V.

c) III - IV - I - II.

d) IV - III - I - II. X

e) II - III - V - IV.



20) Assinale a alternativa ERRADA quanto ao uso da forma verbal.

a) Se ela fizer o trabalho, ficarei livre.

b) Caso você quiser, iremos vê-lo. X

c) Quando elas chegarem, avisem-nas.

d) Embora se esforçassem, nada conseguiam.

e) Quanto mais estudava, mais ia aprendendo.



21) Observe o período a seguir.



"Os valores e conceitos ESTÃO tão distorcidos que a fina camada de verniz do comportamento humano se ROMPE com facilidade, revelando que não SOMOS mais do que bípedes primitivos da informática."



A passagem dos verbos destacados para o imperfeito do indicativo torna correta a alternativa

a) estavam - rompia - éramos. X

b) estarão - romperá - seremos.

c) estavam - rompeu - éramos.

d) estiveram - rompeu - fomos.

e) estariam - romperiam - seríamos.





22) A sala ficou vazia. Todos os homens se dirigiram para o curral. As mulheres foram depois. Os vaqueiros decidiram, como já era um pouco tarde, que os animais fossem montados de dois em dois.



Transcreva do texto:

1. uma oração sem sujeito.

2. uma oração na voz passiva.



Resp.:

1. "já era um pouco tarde..." oração sem sujeito

2. "...os animais fossem montados de dois em dois" (voz passiva)



23) Transpondo-se para a voz ativa a frase "Certas questões deveriam estar salvaguardadas pelo poder público", obtém-se a forma verbal

a) deveriam ser salvaguardadas.

b) deveria salvaguardar. X

c) haveria de salvaguardar.

d) estariam salvaguardadas.

e) poderia ter salvaguardado.



24) Transpondo a frase "Os danos deveriam ter sido reparados pelo responsável" para a voz ativa, obtém-se a forma verbal........



a) haviam de ser reparados

b) tinha reparado

c) deveria ter reparado X

d) devia ter reparado

e) deve ter reparado





25) A frase "Erros foram detectados em todos os setores" está corretamente transposta para a voz passiva pronominal em:

a) Detectou-se erros em todos os setores.

b) Alguém detectou erros em todos os setores.

c) Detectaram-se erros em todos os setores. X

d) Foi detectado erros em todos os setores.

e) Detectaram erros em todos os setores.





26) Em "Serão encontrados os verdadeiros culpados." temos uma oração na voz passiva analítica. Transformando-a em passiva sintética teremos: ______________________________

Resp.: Encontrar-se-ão os verdadeiros culpados.



27) Em "Seriam enviadas tropas de reforço" temos uma oração na voz passiva analítica. Transformando-a numa passiva sintética, teremos: _______________________________



Resp.: Enviar-se-iam tropas de reforço.





28) Em "O mestre já havia dado as notas" temos uma oração na voz ativa. Transformando-a numa passiva analítica, teremos: "_______________________________"



Resp.: As notas já haviam sido dadas pelo mestre.



29) Assinale a frase em que à ou às está mal empregado:

a) Amores à vista.

b) Referi-me às sem-razões do amor.

c) Desobedeci às limitações sentimentais.

d) Estava meu coração à mercê das paixões.

e) Submeteram o amor à provações difíceis. x





30) I - Refiro-me àquilo e não a isto.

II - Sairemos bem cedo, para chegar à tempo de assistir a cerimônia.

III - Dirigiram-se à Sua Excelência e declararam que estão dispostos à cumprir o seu dever e a não permitir a violação da lei.



Quanto ao emprego da crase, assinale:

a) se todas as afirmações estão incorretas.

b) se todas estão corretas.

c) se apenas I está correta. x

d) se apenas III está correta.

e) se apenas II está correta.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sabedoria e cálculo do silêncio.

Vários ditados populares dão importância ao silêncio: “Deus nos deu uma boca e dois ouvidos para que possamos menos falar e mais ouvir”; “Manter a boca fechada e os olhos bem abertos”, diz uma versão italiana; “Em boca fechada não entra mosca”, dizem os espanhóis e portugueses. Os comerciantes europeus inventaram a metáfora “o silêncio é de ouro e palavra é de prata”. O provérbio árabe “cada palavra que tu falas é uma espada que te ameaças” induz a prudência e o cálculo sobre o que, como e em que ocasião falar.
Existe uma relação íntima entre o silêncio e a prudência. O padre jesuíta Baltazar Gracian (séc.17) achava que “no silêncio cauteloso é que a prudência se refugia”. Ou seja, escolher ficar em silêncio não é valorizar a mudez, mas sim, saber calar de acordo com o lugar ou a ocasião: “Fale pouco, mas nunca pareça mudo e embaraçado...”, dizia uma antiga etiqueta social. Até o filósofo da linguagem, Wittgenstein (séc. 20), alertava que “Aquilo que não se pode falar, deve-se calar”. Enfim, o silêncio pode ser reconhecido como uma virtude que evita polêmicas desnecessárias e brigas perigosas. “Diante de tanta ignorância respondo com meu silêncio”, encurtava Rui Barbosa.
Entretanto, diante da intolerância, do racismo e dos fundamentalismos, devemos ficar em silêncio? Nessas situações, o bom senso entende que “o dever do intelectual é romper o silêncio, ainda que sua voz seja abafada pelos poderosos e seus cúmplices de plantão”[1]. “O grande cúmplice da tirania é o silêncio; não atacar o despotismo é a maneira mais covarde de servi-lo; não denunciá-lo é auxiliá-lo; estar próximo dele sem feri-lo é a maneira mais vil de protegê-lo; e proteger o crime é mil vezes pior que cometê-lo; eis aí a hora em que a palavra é um dever e o silêncio é um crime”[2].
Nada justifica, portanto, que muitos intelectuais – principalmente aqueles que acreditam que a “esquerda deve ser, sempre, moral ou ética” fiquem calados diante do terrorismo (condenado, inclusive, por Che Guevara), do genocídio nos regimes totalitários autodenominados socialistas ou nacional-socialistas (nazi-fascistas), da corrupção, da delação em nome da “causa justa”. É triste reconhecer como o infantilismo ainda domina uma parte da esquerda que cultua personalidades e faz “turismo revolucionário”[3], se alienando de ver o “todo”. Há que sustentar, sempre, uma atitude crítica das contradições dos regimes ou dos homens “demasiadamente humanos”. Tomás de Aquino dizia temer o homem que só conhece um livro [Timeo hominem unius libri]. Os homens sensatos deveriam desconfiar de todos os discursos, sobretudo os que produzem entorpecimento da razão crítica dos ouvintes condenados a somente ouvir em silêncio, repetindo o que o “grande mestre” diz.Os alunos deveriam questionar os professores que falam tanto como que obrigando os alunos a um silêncio de fé. Provavelmente, nesse caso, não temos ensino, mas sim, doutrinação.
Hoje, convivemos com uma civilização complexa, dominada pelo fetiche tecnológico sem um código moral de como usar tais bugigangas. O celular, por exemplo, é útil, mas também pode ser um instrumento de incivilidade quando toca fora de hora e no lugar inadequado. Pior é quando o dono se acha no direito de atender, ali mesmo, sem cerimônia e sem vergonha, falando alto para quem quiser ouvir. E o que dizer daqueles que falam com o famigerado aparelho dirigindo seu carro? E os que rompem o silêncio imposto por uma prisão que serviria para fazerem seu exame de consciência e se sentem autorizados a usarem o aparelhinho para desencadear violência numa cidade como São Paulo?

[1] OZAI, Antonio. “Assim falou Vargas Vila”. Disponível em Revista Espaço Acadêmico, nº. 61, junho de 2006. Acesso em: jun. 2006. Acesso em: jun. 2006.

[2] BAZZO, Ezio Flavio. Assim falou Vargas Vila. Brasília: Companhia das Tetas Publicadora, 2005. (XLVIII).

[3] O psicanalista Contardo Calligaris toma emprestado uma idéia de outro psicanalista, Fábio Hermann, que observou que o “turista é quem tira seu retrato colocando-se na frente do lugar visitado, mas olhando para a câmera: somos turistas quando viajamos de costas para o real [...]. Aos turistas revolucionários de Caracas, sugiro uma leitura. Rossana Rossanda acaba de publicar (na Itália) suas memórias, "La Ragazza del Secolo Scorso" (a moça do século passado; Einaudi)”. (CALLIGARIS, C. Os revolucionários silenciosos. Folha de S. Paulo, Cad. Ilustrada, 22 de junho de 2006.

por: RAYMUNDO DE LIMA

Convenção do silêncio.

Burke observa que existe um “acordo público” que nos induz ficarmos em silêncio em certas ocasiões. Num velório, solenidade, audiência pública, culto religioso, concerto musical, durante a execução do Hino Nacional, o silêncio é sinal de respeito e sintonia espiritual. Devemos evitar falar, ainda que baixinho, para não causar constrangimentos em ambientes sociais necessariamente silenciosos. O silêncio é natural porque faz parte da função biológica, quando estamos num banheiro, tentando dormir; ou psicológica, quando nos entregamos à introspecção; ou social, quando esperamos nossa vez, numa fila, cortejo fúnebre.

O “silêncio é um dos elementos essenciais em todas as religiões”, observa G. Mensching. Há variedades de silêncio sagrado: pessoal, comunal, o ‘silêncio eleito’ dos monges e freiras de clausura, a oração silenciosa ou ‘mental’. “O silêncio religioso é um misto de respeito por uma divindade; uma técnica para abrir o ouvido interior; e um sentido de inadequação de palavras para descrever as realidades espirituais”, escreve P. Burke.

É preciso “saber ficar em silêncio”, sentenciava La Rochefoucault. Os mal educados ignoram o sentido ético, estético, cultural, moral, jurídico e psicológico do silêncio. Assim como o sábio e o monge escolhem ficar mais tempo em silêncio – meditando, orando – podemos inferir que os verdadeiramente civilizados e comprometidos com a sabedoria são propensos a conversas intercaladas com o silêncio da prudência ao dizer e esperar o outro revelar seu ponto de vista. O silêncio atua como parte fundamental de uma conversação, que deve obedecer às regras de diversas situações, revelando assim o grau de civilidade das pessoas que participam dos diferentes encontros sociais.

Existe o “silêncio localista” das igrejas, bibliotecas, museus e hospitais. Recebe um olhar de reprovação e um discreto psiu quem desrespeitar o silêncio necessário para rezar, estudar, apreciar, ouvir uma palestra, ou visitar um enfermo.
Portanto, precisa ser reeducado aquele que desrespeita os locais de silêncio. A pessoa que fala pelos cotovelos palavras vazias, que sofre de incontinência verbal monopolizando a palavra, poderia receber benefícios incalculáveis psicanálise. É preciso compreender que excesso de palavras cansa, irrita, chateia, e termina boicotando a harmonização do ambiente social e comprometendo a própria imagem do falante compulsivo.

Silêncio para ensinar.

Os professores do ensino fundamental e médio, atualmente, reclamam que na sala de aula passam mais tempo pedindo silêncio aos alunos do que ensinando. Apesar dos sinais de barbárie na escola contemporânea, pouco se tem feito para impedir o seu avanço. Que fazer se os especialistas em educação se limitam a rotina de produção teórica abstracionista, e os responsáveis pelo sistema educacional continuam fugindo do compromisso de fazer “dialética do concreto” com o cotidiano das relações humanas na escola e na universidade? Onde está o equilíbrio entre conhecimento e sabedoria na formação dos professores para o futuro? Quem educará os pais para melhor educar os filhos?
Um dos efeitos da “geração net” é não respeitar os espaços cujo silêncio é quase obrigatório. Além de não suportar o silêncio necessário para introspecção, a “geração net” não tem paciência de seguir o fio condutor de uma conversa. Quanto mais jovem, mais rapidamente passa de um tema para outro ou troca de interlocutor como quem aperta o botão do controle remoto da TV. Mais do que impaciência, tais atitudes podem também revelar intolerância e desrespeito para com o próximo e falta de sintonia com o ambiente.
Como imaginam que “mandam no pedaço”, crianças e adolescentes se acham no direito de interromper a conversa dos adultos por motivo fútil. Os adultos, por sua vez, fingem que aceitam a atitude grosseira, ou se acovardam, deixando de exercer a autoridade de educadores, cujo resultado previsível é a incivilidade.
Muitas pessoas estão deixando de freqüentar os cinemas para evitar constrangimentos com platéias mal educadas, barulhentas, parecendo estar mais interessadas em comer pipoca e dar arrotos de refrigerantes do que assistir ao filme em silêncio. (Existe diferença entre a demonstração de incivilidade do MLST no Congresso Nacional, as depredações das escolas públicas, ou outras menos barulhentas promovidas pelas gangs no dia-a-dia urbano?).
Mede-se o nível de ensino de uma universidade pelo grau de silêncio de sua biblioteca. Alunos de alguns cursos de nível superior são mais propensos ao zunzunzun da “conversa paralela” que, sem querer-querendo, termina atrapalhando o silêncio imprescindível para ouvir uma exposição oral. Se o assunto é complexo e/ou o professor tem o estilo monótono, aumenta a probabilidade de dispersão e cochichos inconvenientes. O historiador Peter Burke observa que essa inclinação para romper a romper com o silêncio necessário de uma aula, nos países latinos, talvez viria de costume cultural de “tentar ouvir muitas pessoas falando ao mesmo tempo”. Ao contrário do costume anglo-saxônico que exige total silêncio da audiência, o palestrante para público latino-americano deve estar preparado para discorrer seu assunto tendo como ruído de fundo o zumbido de vozes. Curiosamente, ele seria considerado mal educado ou impolido se pedir silêncio, deixando transparecer certa irritação para com os verdadeiros mal educados.

A sabedoria do silêncio

A sabedoria do silêncio
Revista Espaço Acadêmico, nº. 62, julho de 2006
RAYMUNDO DE LIMA

“Dentre todas as manifestações humanas, o silêncio continua sendo a que, de maneira muito pura, melhor exprime a estrutura densa e compacta, sem ruído nem palavras, de nosso inconsciente próprio” (J.-D. Nasio)

“O analista não tem medo do silêncio [...]; ele não escuta somente o que está nas palavras, escuta também o que as palavras não dizem. Escuta com a “terceira orelha”... (T. Reik)

"Na Finlândia, se você está feliz, deve estar em silêncio para ouvir os próprios pensamentos” (?)

É praticamente impossível esperar que crianças e adolescentes naturalmente fiquem em silêncio numa missa, aula, teatro, concerto musical, reunião, cinema. Os adultos, por sua vez, deviam dar o exemplo ficando de boca fechada nas igrejas antes ou durante missa, numa palestra, na biblioteca, etc. Será que existe medo do silêncio, necessário para reflexão?
Para ler e compreender um texto filosófico ou teológico, um poema, é preciso silêncio. Há músicas que só podem ser ouvidas sob um fundo de silêncio. Os retiros espirituais são importantes para capacitar as pessoas a conviverem melhor consigo mesmas; aprender a controlar a inquietação de nossa alma, rumo à ascese. Não “treinar” o silêncio é se entregar à fala vazia ou boba, reforçando um estilo sustentado na ignorância.
“O combate contra a ignorância é a meta de toda educação” diz o professor da UFMG, Roberto Jamil Cury. “Se a barbárie está presente através de atos na própria civilização, desbarbarizar tornou-se uma questão urgente da educação”, alertava o filósofo T. Adorno, na década de 1950.
Contudo, o elogio ao silêncio como sinal de educação deve ser rompido, sempre, para protestar contra os atos que causam direta ou indiretamente indignação, violência e destruição.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mário Quintana

EVOLUÇÃO
O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
Mario Quintana - Caderno H



MÚSICA
O que mais me comove em música
São estas notas soltas
- pobres notas únicas -
Que do teclado arranca o afinador de pianos.

Mario Quintana



OS DEGRAUS
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mario Quintana - Baú de Espantos


DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...
Mario Quintana - Espelho Mágico

ESPELHO
Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
"O que fizeste de mim?" Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste...
Mario Quintana
SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)


OS POEMAS
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana - Esconderijos do Tempo


AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível


DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana - Espelho Mágico



POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana


EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mario Quintana - A Cor do Invisível

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO
Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.
Mario Quintana



RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Mario Quintana

DOS MUNDOS
Deus criou este mundo. O homem, todavia,
Entrou a desconfiar, cogitabundo...
Decerto não gostou lá muito do que via...
E foi logo inventando o outro mundo.
Mario Quintana - Espelho Mágico

DA DISCRIÇÃO
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
Mario Quintana - Espelho Mágico


A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Mario Quintana - A verdadeira cor do invisível


O MAPA
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
Mario Quintana - Apontamentos de História Sobrenatural